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O Ministério Público da Holanda decidiu arquivar o processo criminal contra o evangelista Tom de Wal, reconhecendo que o culto interrompido pela polícia no início do mês, na cidade de Tilburg, não configurava um evento público, mas sim uma reunião religiosa protegida pela liberdade de culto. 

A decisão, divulgada nesta quinta-feira (29), encerra oficialmente a ação criminal contra o líder da Frontrunners Ministries e confirma que sua prisão foi indevida.

De acordo com o documento oficial, após análise em conjunto com o Ministério Público, foi concluído que o culto “não pode ser classificado como evento” nos termos do artigo 26 do regulamento municipal (APV). Com isso, o caso foi arquivado e nenhuma multa foi aplicada ao evangelista.

Após a divulgação da decisão, Tom de Wal se manifestou em suas redes sociais celebrando o arquivamento do processo e classificando a prisão como injusta. 

“Vitória! O Ministério Público concluiu que o culto em Tilburg não foi um evento e que fui preso injustamente. Ou seja, tratava-se de uma reunião religiosa, um culto no qual a polícia nunca deveria ter entrado nem interrompido, muito menos me prender”, escreveu o evangelista em seu Instagram.

“Isso significa que o processo criminal contra mim foi encerrado e que fui absolvido”.

“A verdade veio à tona”

Embora o processo criminal esteja encerrado, ainda segue em andamento uma ação administrativa contra a prefeitura de Tilburg. No entanto, a avaliação do próprio Ministério Público torna extremamente difícil para o município sustentar que o encontro religioso deveria ser tratado como evento público.

Com isso, o evangelista criticou a postura da administração municipal. “Aliás, até hoje não ouvimos nada da prefeitura de Tilburg, nem sequer recebemos a ordem por escrito que disseram que seria enviada na segunda-feira após a prisão”, relatou.

Ao concluir, Tom de Wal declarou: “Seguimos em frente rumo à vitória completa”.

Relembre o caso

Tom de Wal foi preso na sexta-feira, 9 de janeiro, após policiais interromperem um culto que acontecia em uma igreja local, em Tilburg. O evangelista promovia uma campanha de cura quando agentes entraram no templo, encerraram a reunião e obrigaram os participantes a deixarem o local, conforme noticiado pelo portal holandês AD.

A ação policial ocorreu por ordem do prefeito de Tilburg, que alegava que o culto não possuía autorização para ocorrer como evento público. 

Tom foi escoltado para fora da igreja, enquanto os fiéis continuaram louvando e orando do lado de fora.  Pessoas que haviam viajado de outras cidades em busca de oração receberam ministração na rua.

Segundo o evangelista Jean-Luc Trachsel, líder de um ministério evangelístico com base na Suíça, a situação se agravou quando Tom passou a orar pelos doentes na via pública. 

“A polícia disse que isso não era permitido”, relatou. Em seguida, o evangelista foi detido e passou algumas horas na cadeia antes de ser liberado.

Protestos e cancelamento da campanha

Tom de Wal, de 35 anos, lidera a Frontrunners Ministries, que havia planejado realizar três cultos da campanha “Semana do Avivamento” em um hotel na cidade de Eindhoven. No entanto, ativistas LGBT protestaram contra o evento, e o hotel cancelou a reserva.

Após o cancelamento, os cultos foram transferidos para uma igreja em Tilburg. De acordo com Stephan van der Wouden, diretor de operações da Frontrunners, os mesmos manifestantes de Eindhoven viajaram até Tilburg para continuar os protestos.

As manifestações começaram após reportagens acusarem Tom de Wal de promover “cura gay”. Stephan negou a acusação e afirmou que a cobertura da mídia distorceu os fatos. “Essa imagem é imprecisa. Tom de Wal nunca fala sobre esse assunto. Essa narrativa inflamou a situação desnecessariamente”, disse em entrevista ao Revive.

Ele também afirmou que não houve comunicação clara por parte da prefeitura e reforçou que a campanha era uma reunião religiosa, não um evento público.

Especialistas apontaram violação da liberdade religiosa

A prisão do evangelista gerou forte repercussão nas redes sociais e indignação entre cristãos na Holanda. Jean-Luc Trachsel classificou o episódio como ilegal e alertou para o aumento da perseguição religiosa na Europa.

A professora Sophie van Bijsterveld, especialista em religião, direito e sociedade da Universidade Radboud de Nijmegen, afirmou que a intervenção do governo foi equivocada.

“Um evento é definido como uma atividade de entretenimento acessível ao público. É difícil sustentar que um culto se encaixe nisso. Independentemente da opinião sobre Tom de Wal, tratava-se de uma expressão de fé, protegida pela liberdade religiosa”, explicou em entrevista ao AD.

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